Narigolim na Estrada - The Allman Brothers Band Museum at the Big House Museum


Essa é a quarta parte da série Narigolim na Estrada, que retrata algumas partes da viagem do Richard Zimmer, baixista da banda Cartel da Cevada, pelo Sul dos Estados Unidos. Dessa vez ele foi visitar o The Allman Brothers Band Museum at the Big House Museum, nada mais nada menos que a casa em que músicas como, "Blue Sky", "Ramblin 'Man", Please Call Home”, “Ain’t Wastin’ Time No More”, “Leave My Blues at Home” e “Midnight Rider”, foram escritas e o local em que o Allman Brothers residiu nos lúdicos primeiros anos de sua carreira. Essa é a "Big House."

22/04/2012, domingo, Macon, Georgia.

A ideia era acordar bem cedinho pra sair o quanto antes. Mas foi consenso geral de dormir um pouco mais e descansar um pouco.

Em seguida levantamos e começamos a arrumar toda tralha. Sorte nossa que o Fernando tinha alugado um caminhonetão e ia limpar tudo em casa. Então arrumamos nossas coisas e depois jogamos todo o resto na caçamba.
Despedida com Fernando e Lida
Com um clima de melancolia, porém, com a sensação de dever cumprido, fomos embora. Próxima parada foi Macon, Georgia. O pessoal do Allman Brothers viveu em Macon no auge criativo deles. A casa onde moravam virou seu museu, o cemitério e muitas ruas contam boa parte da história da banda.

Depois de umas 3 horas de viagem chegamos direto na Big House, nome da casa do AAB que virou museu da banda. Casa grande, bonita e imponente. Dois andares, grama bem verde, e no portão da garagem um grande cogumelo com os dizeres: “and the road goes on forever”. O dia estava lindo, baita sol, o que deixava o lugar mais legal ainda.
Big House

Portão de entrada dos carros

Detalhe na porta

Jardim com um palco para fazer um som

Indicação da entrada
Bom... não tem muito o que ficar falando sobre um museu. Tipo, se tu vai no Louvre tu não vai ficar contando detalhes dos quadros, cada um que olhe e tire suas conclusões. O que vale numa hora dessas são as sensações que tu tem. A gente foi na sala onde eles ensaiavam, o Hammond do Gregg tá lá, a mesa de sinuca da casa do Gregg e da Cher tava lá (Gregg Allman foi casado com a Cher em meados dos anos 70), enfim, muita coisa. Tem material de todas as fases, e de todos caras que já tocaram na banda lá. Roupas que usavam, instrumentos que tocavam, vinis que os inspiravam, pôster de vários shows desde a época que eram Hourglass. Explicam como certas músicas foram compostas. Tudo. Pra quem é fã é sensacional, realmente incrível vivenciar aquilo tudo. Acho q ficamos pelo menos 3 horas por lá.
Manuscrito original de "Don't Keep Me Wondering"

Sala de composição

Hammond do Gregg na sala de ensaios

Correia, guitar e slide do Duane

Vitrais da entrada vistos de dentro
Saímos do museu e fomos atrás de comida, afinal já devia ser umas 16h e nada de rango. Gostaríamos de almoçar no H&H, local onde os caras almoçavam e que continua com a mesma dona e cozinheira, a Mama Louise. Logo que se mudaram para Macon eles estavam mal de grana e diversas vezes Mama Louise fazia fiado. Aliás, o laço entre Mama Louise e a banda é tão forte que quando eles receberam o Grammy no último ano, ela também compareceu na cerimônia e recebeu uma estatueta daquelas. Mas infelizmente não abre aos domingos.

Um dos caras da Big House nos indicou um restaurante irlandês pra almoçar, e lá fomos. Um nome muito peculiar e super inovador pra um lugar irlandês, Shamrock. Bem legal, e com um baita atendimento. Pedi um porco (lembrava o gosto da chuleta) e um vegetal que não sabia o que era, e continuo sem saber, que se chamava “squash”. Não gostei e não identifiquei aquilo no Brasil. Veio uma salada bem boa de entrada.
Rangão irlandês
Sem muito tempo pra digestão continuamos a peregrinação Allman Brothersística.

Na entrada do museu eles te dão um mapa da cidade mostrando todos os pontos que estão diretamente ligados a banda. E no verso o mapa do Rose Hill Cemetery, onde o Duane Allman e o Berry Oalkey (guitarrista e baixista originais) estão enterrados, assim como a Elizabeth Jones Reed e a Martha Rellis.

Enquanto estavam vivendo em Macon eles frequentavam direto o cemitério pra compor sons lá. Fizeram duas obras primas instrumentais (In Memory of Elizabeth Reed e Little Martha), e colocaram o nome das músicas com o nome das pessoas das lápides que eles estavam compondo. E pro cemitério que nós fomos. Por mais mórbido e bizarro que pareça, é muito sensacional o clima lá. As músicas que eu já era apaixonado, fiquei mais ainda. Climão muito interessante.
In Memory of Elizabeth Reed

Little Martha
Também no cemitério visitamos os túmulos do Duane e do Berry, e ainda no local que eles tiraram a foto da contra capa do primeiro disco.
Túmulos de Duane (E) e Berry (D)

Contra capa
Seguimos pelas ruas de Macon até o ponto onde tiraram a foto pra capa do primeiro disco. Depois fomos nas esquinas onde o Berry Oakley e o Duane Allman sofreram acidentes fatais. Os dois morreram em acidentes de moto, duas quadras de distância uma da outra, e com um ano e alguns dias de diferença.
Capa

Local do acidente do Berry
Já era noite e tínhamos que seguir viagem. Pegamos a estrada a caminho de Atlanta. Um pouco menos de duas horas e chegamos no albergue, que parecia uma casa meio mal assombrada, tamanho era a não manutenção das coisas por lá. Piso rangendo, banheira bizarra, quartos meio abandonados, etc.

Até tomarmos banho quente, depois de 4 dias, e nos ajeitarmos, já era meia-noite, e era domingo. Rodamos, rodamos, e nada. Nem pra comer um sanduiche. Até que chegamos num bar fechado, mas que havia gente dentro. Nos indicaram uma lanchonete 24 horas.

Majestic era o nome. Clássico. Balcão gigante, estofado vermelho, e todas essas coisas clássicas. Muito legal. Comi algo que não havia comido, e estava bem curioso, cachorro quente com chilli. Nada de inovador, mas muito tradicional e com um preparo maravilhoso. Pão, salsicha, chilli, alguma cebola e acompanhado de uma boa porção de fritas. Que rango bem bom.
Bem bom
Depois disso era voltar pro albergue, dormir numa cama, tentar descansar, no outro dia a ideia era dar uma banda por Atlanta e depois partir para o Tennesse.
Tecnologia do Blogger.