Lynyrd Skynyrd - Last Of A Dyin' Breed (Review)


"Last Of A Dyin' Breed" é o décimo terceiro álbum de estúdio da banda de Southern Rock Lynyrd Skynyrd, lançado pela Roadrunner Records.

Estamos diante do décimo terceiro álbum de estúdio da lendária banda de Southern Rock Lynyrd Skynyrd, banda essa que eu tive o privilégio de vê-la tocar ao vivo (Algo que jamais esquecerei, faz parte dos meus momentos mais belos da vida, tais como receber minha boina verde pelo Exército, ver e ouvir ao vivo "Ace of Spades" do Motörhead, pegar a palheta do Paul Quinn do Saxon logo depois dele solar "Crusader", cantar da plateia "I Want Out" com Helloween e Gamma Ray no mesmo palco e ainda pegar a palheta das mãos do Kai Hansen, e futuramente, novembro desse ano, ver a Black Label Society tocar ao vivo). A banda Lynyrd Skynyrd sempre será vista por duas fases: Fase Ronnie Van Zant e pós-Ronnie, ou seja: Fase Johnny. No decorrer dos anos o nome Lynyrd Skynyrd está sempre “marcado” com a fase Ronnie, seja como trilha sonora de filmes ou no repertório dos shows atuais, claro, é uma fase incrivelmente brilhante, a fase das mais belas canções, a era dos hinos do Southern Rock (Mas o que o Johnny vem fazendo?).


Na minha humilde, mas sábia opinião, o Johnny Van Zant no comando da Lynyrd Skynyrd sempre lançou ótimos álbuns, não desgostei de nada feito por ele. Você pode dizer que a Lynyrd Skynyrd atual perdeu a sonoridade “roots de Ronnie”, mas o Johnny não pediu pra estar no lugar em que esta, e Johnny não é Ronnie, se as coisas devessem continuar que seguissem com a personalidade de quem agora está cantando. Vou comparar "Last Of A Dyin’ Breed" com os dois últimos álbuns que o antecedem ("Vicious Cycle" e "Gods & Guns"), e o que mudou? – O álbum vem na mesma linhagem desses dois últimos álbuns (Ótimos álbuns, e não entendo quando ouço alguém me dizer: “Não gostei de God & Guns!”. Fala sério, só um surdo não gostaria disso!) só que com riff’s menos vigorosos como encontrados em "Still Unbroken" ou "Floyd", sim, a banda buscou uma sonoridade mais Ronnie, algo inédito nessa era Johnny (Ah, mas "The Last Rebel" também é bem era Ronnie. Sim, concordo um pouco!).

Detesto quando leio algo desmerecendo o trabalho do Johnny, a maioria não reconhece o belo trabalho feito por ele, e isso não é justo. Amo a era Ronnie, mas sou sincero quando digo que Johnny é um dos melhores vocalistas do Southern Rock, e ao vivo o cara é ainda melhor, mas mesmo assim os álbuns lançados por ele ainda ficam de fora de um Top 20 do Southern Rock, isso na opinião dos que não sabem de nada. O álbum abre com a faixa-título "Last Of A Dyin’ Breed" e logo ecoa um riff com slide ao estilo Delta Blues, em seguida, um Southern Rock estradeiro toma de conta da harmonia, deslizando perfeitamente com a melodia perfeita. A letra cita isso: “A barefoot brother who gave me hell. I Learned from the best who taught me well”. Ronnie era chamado de barefoot (pés descalços) era o seu apelido, e Johnny diz que aprendeu com o melhor (É por isso que eu digo: Johnny é o melhor vocalista do Southern Rock).

A próxima faixa "One Day At A Time" traz uma cadência suave, tipo de música pra deleitar uma boa bebida e refletir um dia de cada vez. O refrão ganha todo aquele apoio das The Honkettes. Em seguida "Homegrown" soa como "Vicious Cycle" e "Gods & Guns", efeitos de voz, algo mais moderno, com riff’s coesos e duetos de solos. Não entendo como nos dias de hoje ainda há quem estranhe esse tipo de levada da Lynyrd Skynyrd, os críticos ao invés de encherem o saco, deveriam aprender distinguir Johnny de Ronnie. Esse é o tipo de canção ao estilo Johnny, o cara vem criando canções assim desde que chegou, isso me agrada, ainda mais quando quem a escreveu foi Rickey, Gary e Johnny. Já "Ready To Fly" é uma balada incrivelmente gostosa, daquelas pra voar num devaneio de coisas boas, fechar os olhos e se deixar ir longe, bem longe no que vier de mais belo em sua mente (Me imaginei sentado na varanda de um trailer com dois cachorros há correr por um campo cheio de verde, uma espingarda em minhas mãos, latas de cerveja para serem alvejadas, empilhadas sobre um tronco de carvalho cortado, uma linda mulher ao lado de uma Harley-Davidson, me olhando, mas com um sorriso de canto, do tipo feliz, e com bochechas repletas de boas intenções). Uma música com um belo lirismo e instrumental perfeito. Destaco o belo trabalho feito por Peter Keys, e claro, a bela voz do Johnny Van Zant. Uma canção mágica é aquela que lhe faz voar, se isso me aconteceu, "Ready To Fly" é sim mágica aos meus ouvidos.

A próxima faixa "Mississippi Blood" é carregada pelo Blues do Delta, é como imaginar John Lee Hooker plugado num pedal com um drive bem pesado, tipo um JH-1 (Jackhammer Marshall. Ah, eu já toquei nesse pedal plugado numa SG Epiphone do meu primo, Bento, e o som é demolidor) tocando um “Boom Boom from Hell”. Adoro quando Johnny e Rickey dividem os vocais, é algo excitante de se ouvir, meus vocalistas prediletos cantando juntos. Acredito que "Good Teacher" beba das fontes Hendrixianas de se fazer riff’s, mais uma música com um som bem estradeiro, e o trio de guitarristas da Lynyrd Skynyrd é quem podemos chamar de bons professores. No Southern Rock, quem curte apelar no wah-wah e criar riff’s assim é o Danny Chauncey, basta lembrar de "Déjà Voodoo" do álbum "Resolution".

A próxima faixa "Something To Live For" é mais uma balada com ar de calmaria, bela por sinal. Há quem não acredite, mas John 5 (Sim, o horripilante guitarrista obscuro e macabro) está nos créditos da música. O álbum agora vem com "Life’s Twisted" mais uma faixa que parece fazer parte do ótimo "Vicious Cycle", trazendo toda a disposição de Johnny Van Zant e dos demais membros, um instrumental que exige disposição. Uma das únicas músicas não escrita por Johnny e companhia, mas sim por Chris Robertson, Blair Daly e Jon Lawhon. Em seguida "Nothing Comes Easy" surge com riff’s densos, acompanhado por um Hammond (Que meus ouvidos não se enganem!), a canção é um Blues inflamado por guitarras nervosas e licks quentes, ótima.

A faixa "Honey Hole" é mais uma música com um começo cadenciado, mas que na hora do refrão ganha riff’s bem mais fortes. Percebo que Gary faz algo no slide que nos lembra do clássico, uma técnica usada em "Free Bird". Rickey, Gary e Mark estão fazendo um trabalho do mesmo nível de sempre, são lendas, impossível esperar algo negativo vindo das seis cordas desses caras. O som mais roots surge com "Start Livin’ Life Again" uma canção com uma levada bem acústica, nadando pelo lado roots da música americana e desaguando em águas mais rasas do lado moderno vindo dos vocais de Johnny. Outra canção que leva nos créditos o nome John 5. No embalo "Poor Man’s Dream" também vem com uma cadência mais lenta, mas acaba soando como "Southern Ways" e "Simple Life" não fugindo dessa linhagem dos álbuns anteriores, o que não deixa de ser ótima.

São faixas como "Do It Up Right" que surgem pra nos lembrar de que Lynyrd Skynyrd é sim uma banda dançante, apaixonante e de nos causar orgulho sonoro. Essa tem o selo de qualidade Van Zant. A próxima música é a ótima "Sad Song" não fugindo do que o título quer nos dizer. É uma canção morna, mas que também ganha mais ânimo com o refrão, e que em certos momentos me lembra de algo em "Running Out Of Time" do Ozzy Osbourne, e o refrão uma mínima e imperceptível pitada de algo em "Dust N’ Bones" da banda Guns N’ Roses, com bem menos batidas por minuto. A última faixa é "Low Down Dirty" uma das faixas com o riff mais pesado do álbum, e se não fosse o refrão com boas doses do Southern Rock, eu até arriscaria dizer que a música estava mais pro Metal, mas não é isso, não foge da linhagem já apresentada pela Lynyrd Skynyrd atual. É uma ótima música.

Por mais que o Johnny esteja na Lynyrd Skynyrd faz um bom tempo, sempre vamos ler ou ouvir críticos pedindo por um som do tipo tocado antes de 20 de Outubro de 1977 pra baixo. Estou feliz com o trabalho apresentado em "Last Of A Dyin' Breed", é mais um álbum que briga pelas primeiras posições de “Os Melhores Álbuns de 2012”. Lembrando que Johnny Colt (The Black Crowes) é o novo baixista da banda, não vejo nenhuma canção feita por ele, mas sua entrada veio a somar. Sou um dos privilegiados que teve a oportunidade de ver essa banda tocar ao vivo, ouvi todos os álbuns, sou apaixonado por música, e posso lhe garantir que o álbum vale a pena. Ouça, tire sua conclusão e lembre-se: Johnny não é Ronnie! - Garanto que ele não queria estar no lugar do irmão. Se Johnny soa mais “moderno”, que seja, mas pelo menos ele não força quem não é, e garanto que Ronnie está feliz em ver o irmão cantando em seu lugar. Lynyrd Skynyrd continua sendo uma das maiores bandas de Southern Rock de todos os tempos, cegos, surdos e loucos daqueles que não percebem isso. Aumente o som e contemple!

Escrito por Augusto Monteiro e publicado originalmente na Taberna do Putardo. 
Tecnologia do Blogger.