Jackyl - Best in Show (Review)


"Best in Show" é o sétimo álbum de estúdio da Jackyl, lançado em 2012, pela Mighty Loud.

O mais novo trabalho da Jackyl, "Best in Show", apresenta uma sonoridade mais sólida, mas sem fugir do som apresentado em "Relentless" em diante. Você deve se perguntar: "Por que Jesse James não cria canções pra Jackyl na mesma levada das canções com a Jesse James Dupree & Dixie Inc.?". Esse é o diferencial, a Jackyl por mais redneck desbocada que seja, ela puxa bem mais pro Hard Rock, não como a Dixie Inc. que usa banjo, com um som mais hillbilly meio Country Rock, ou seja, bem mais pro lado do Southern Rock. O próprio Jesse James Dupree é como um cruzamento de Jim Dandy com David Lee Roth, misturado com boas doses de whiskey de sabor amadeirado por raspas de árvores cortadas por uma motosserra insana.

O disco abre com "Best in Show" um Hard Rock do tipo Jackyl de se fazer, riff’s com harmônicos artificiais, e uma letra que por mais que eu tente interpretar de uma outra maneira, sempre sinto que é algo como dito em "Billy Badass" pra mostrar que a Jackyl continua na ativa, como sempre, pronta pra chutar traseiros. Na sequência "Encore" mantém o Hard Rock com vigor, Roman Glick tocando alto. É o tipo de música que consegue grudar fácil, a forma de cantar até parece um rap meio que Blues, mas regido por riff’s densos, só posso dizer que é uma música que anima, ótima por sinal.

A faixa "Screwdriver" já tinha sido disponibilizada desde 17 de junho, nos mostrando que o álbum "Best in Show" viria com um ritmo mais sólido. A música até cairia bem como trilha sonora no Full Throttle Saloon. A Nigel Dupree Band, banda do filho de Jesse James, aproveitou pra lançar no mesmo dia a single "Tumbleweed". Já "Horns Up" é uma das poucas faixas que surge com uma pegada mais pra Push Comes To Shove, talvez porque algo nela me faz lembrar de "Rock A Ho".

Os riff’s encorpados retornam em "Golden Spookytooth" mais uma música com guitarras bem trabalhadas. Dupree e Jeff Worley estão fazendo um ótimo trabalho nas seis cordas. Em matéria de solo, a saída de Jimmy Stiff (Faz tempo...) ainda é uma lacuna aberta, os solos do Jimmy eram bem mais trabalhados, pentatônicas nervosas, uma pegada bem Hard/Blues. Pelo que percebo a música não é uma homenagem à banda britânica Spooky Tooth. O cover "Cover of the Rolling Stone" da banda Dr. Hook & the Medicine Show, ganhou uma versão redneck, com um solo de motosserra que percorre numa levada bem "We Will Rock You" da banda britânica Queen.

São faixas como "Walk My Mile" que levam milhares de caras a pegar uma autoestrada e queimar asfalto. Uma levada bem Stoner Rock, riff’s bem cadenciados, e o vocal de Dupree se destacando cada vez mais. Na minha opinião, Bon Scott, Brian Johnson, Joel O'Keeffe e Dupree são os caras com um timbre de voz arranhado mais perfeito pra cantar Rock N’ Roll. A faixa seguinte "Favorite Sin" mantém o nível de ótimas canções, ótimo refrão, riff’s bem AC/DCianos e com aquele mesmo sarcasmo lírico e diabólico encontrado em "Speak of the Devil". Posso dizer que "Better Than Chicken" é mais uma música com uma pegada mais "Choice Cuts" pra baixo, soando como as primeiras canções da banda. Não falo isso como uma forma de marcar uma fase, não há fases, como não há álbuns ruins na carreira da Jackyl, falo isso no sentido de como soa a canção, em qual álbum eu a encaixaria.

Estranho eu dizer isso, mas "Don't Lay Down On Me" por alguma razão ainda inexplicável me faz lembrar de The Black Crowes, o tipo de música sonoramente embriagante, uma levada gostosa de ouvir. A última faixa inédita é "Eleven" mantendo os drives das guitarras ligados e distorcidos, provando que por mais que o tempo continue passando, o insano Jesse James Dupree e companhia não mudam a forma de tocar, sempre fiel com seus fãs e consigo mesmos. Pra fechar, o cover "It's Tricky" da banda de hip-hop Run-D.M.C., conta com os caras da Run-D.M.C., duetando com Dupree. O pessoal da Run-D.M.C. é bem amigo do pessoal da Jackyl, cantando "Just A Like Negro" nos shows ao vivo da banda.

O álbum foi lançado na mesma data do álbum "Up to No Good" da banda The Nigel Dupree Band, banda do filho de Jesse James Dupree, uma homenagem de dia dos pais. Pra quem já conhece o trabalho da Jackyl, "Best in Show" é mais um ótimo álbum que surge pra somar na carreira da banda, não há surpresas negativas nisso aqui. O teor do lirismo continua o mesmo, um pouco menos desbocado quando comparado com os primeiros álbuns, mas sempre esperamos coisas insanas quando se trata de Dupree. A banda não fez como em "When Moonshine And Dynamite Collide", onde se esqueceu de colocar um solo de motosserra (marca registrada da Jackyl), em "Best in Show" podemos ouvir o som da motosserra.

Pra turma que nunca ouviu Jackyl, só posso dizer uma coisa: Corra atrás do tempo perdido, porque curtir Rock N’ Roll desconhecendo o trabalho da Jackyl é o mesmo que rezar e não saber quem é Jesus Cristo (Religiosos, não se ofendam!). Recomendo, Jackyl continua sendo uma das minhas bandas prediletas, obrigatória na bagagem de qualquer apaixonado por Rock N’ Roll!

Escrito por Augusto Monteiro e publicado originalmente na Taberna do Putardo. 
Tecnologia do Blogger.