[Entrevista] Phillip Long - uma pessoa que ama e entende o que faz


Fiquei encantado desde a primeira vez que escutei a música do Phillip Long e me tornei mais fã ainda depois de ler as respostas que ele deu às perguntas que enviei. Algum tempo atrás eu adotei uma filosofia de vida que pode ser expressa com um trecho bem popular da faixa "Simple Man" do Lynyrd Skynyrd define bem isso, o trecho é: "Be something you love and understand / Baby, be a simple kind of man". Sem dúvidas que esse trecho expressa com perfeição o que o Phillip Long é: uma pessoa que ama e entende o que faz, e acima de tudo, uma pessoa simples.

Except My Love by Phillip Long on Grooveshark

Leiam a entrevista:

Filipi Junio: Fale um pouco mais de "Atlas", seu novo álbum. O que ele tem de diferente de seus antecessores?

Phillip Long: O "Atlas" nasceu em um momento muito pesado de minha vida, um profundo desconforto existencial, não que nunca tivesse me sentido assim, mas dessa vez foi diferente, estava encarando esse disco como o último. Depois disso, deixaria de publicar minhas coisas, ainda seria um artista mas sem mostrar minha alma. E ele foi nascendo nesse contexto, até que encontrei algo que mudou minha mente, minha vida voltou ao equilíbrio e isso refletiu também no disco. Acho que além desse contexto que já salienta a diferença entre os antecessores, além desse contexto, eu alcancei um nível de honestidade muito maior do que jamais imaginei, essas faixas relatam com honestidade brutal como foram os últimos meses de minha vida, não há enigmas, as letras são cruas e diretas, este sou eu completamente pelado. Estou nu para o universo, o "Atlas" é um trabalho espiritual e místico como a vida é. As vezes é preciso estar quase morto para renascer. Tenho meditado, ouço música clássica, ouço música honesta, passo horas deitado ao lado de uma boa mulher, e beijo tua pele inteira, beijo o queixo e todo o canto. Me conectei com alguns amigos de uma forma intensa, a Brisa (gatinha aqui de casa) estava esperando bebês e isso trouxe uma delicadeza ímpar para nossas vida. Estávamos esperando filhotes pela casa, eles não vieram, mas a ternura sim. Minha vida é outra, é calma e suavemente livre. O"Atlas" é isso, os dias antes e depois do renascimento.

Filipi Junio: É inegável que você é um workaholic. Mas sempre fico me perguntando de onde vem tanta inspiração para escrever tantas músicas em um curto espaço de tempo?

Phillip Long: A inspiração vem da vida e de como sou modificado por ela dia após dia, estar vivo é inspirador. Enxergue o que é invisível e saberá sobre o que escrever, um personagem certa vez disse isso. E essa é uma verdade universal, enxergue, enxergue, enxergue com os olhos e além deles. Todo dia é um privilégio, as primeiras horas da manhã são um privilégio, as primeiras horas da noite, a primeira visão das estrelas, narizes são um privilégio. Conectar-se de outra forma é uma dádiva. O tempo é relativo, sinto que já andei por essas terras há mais tempo do que parece. Há tanto para se dizer e tenho dito a minha parcela.

Filipi Junio: Existe algum tema que você gosta mais de escrever ou você escreve o que está sentindo no momento em que está compondo? Essa é uma curiosidade que tenho, pois cada uma de suas faixas expressa um sentimento diferente.

Phillip Long: Como só consigo escrever sobre coisas que vivo, não tenho um tema preferido. Sou conduzido por minhas experiências, minhas reações diante ao que a vida me oferece. A vida me oferece isso hoje e aquilo amanhã, por isso há sentimentos diferentes, visões diferentes. E você pode também enxergar uma mesma coisa com um olhar diferente, as vezes você olha para aquilo como se fosse a primeira vez e suas percepções são alteradas.

Filipi Junio: Me desculpe pela pergunta, mas o que você costuma fazer quando não está compondo? Quer dizer, você faz algo além de compor?

Phillip Long: Quando não estou compondo, estou observando. Não faço nada além de compor, não tenho um trabalho convencional, já tive, não tenho mais. A vida é outra quando você conhece sua função na terra, eu decidi me afundar nessa areia, estou até o pescoço dentro disso. A minha maldição predileta. E pra tudo na vida paga-se um preço, eu pago o meu, pago de coração aberto. Meu espírito se eleva sempre que me deito com as canções.

Filipi Junio: Seus álbuns já ultrapassaram a marca de 20 mil downloads no Musicoteca. Você imaginava que a sua música seria reconhecida e escutada por tantas pessoas?

Phillip Long: Sinceramente, não imaginava. Isso tudo é novo para mim, novo e lindo. As mensagens de carinho, de identificação, ninguém está tão sozinho no mundo. Sou tão grato por isso, tão grato que meu coração se incendeia. Tão feliz em saber que minha música tem tocado as pessoas, ainda mais feliz em saber que canções honestas ainda fazem sentido. Tanto amor em minha vida, agora! Agradeço a todos, ao pessoal da Musicoteca que me respeitam, respeitam minha compulsão, e sempre me fazem sentir em casa. E todas as pessoas que estão escutando e divulgando, isso é lindo. Gratidão e amor!

Filipi Junio: Quais são seus futuros projetos, além de lançar mais CDs?

Phillip Long: Estou participando da Coletânea em homenagem ao Antonio Marcos, que será lançada pela Musicoteca. Será lindo, muita gente bacana, uma verdadeira honra poder participar disso. No mais, sigo com o fluxo, sem planos. Vivendo e vivendo!

Filipi Junio: Cada dia mais a cena Folk paulista está crescendo. Quais bandas/artistas você destaca?

Phillip Long: Estamos ainda no começo de tudo, e acredito que a cena irá se fortalecer a cada dia, tudo é muito novo e estamos construindo coisas. Trabalhando e mostrando do que somos feitos, tenho grandes amigos dentro do folk, e admiro o trabalho de cada um. Em Sampa, tem o Nutt que além de um grande amigo, é um artista incrível, o Gilmore, todos com trabalhos lindos. E preciso citar um nome fora da cena paulista, Rafael Elfe, grande amigo e artista fantástico.

Créditos da foto: Ciro Bertolucci
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