Allman Brothers Band - At Filmore East (Review)


Depois de dois ótimos discos de estúdio a Allman Brothers Band resolve capturar a essência do palco, seu habitat natural e lança aquele que é considerado por muitos como o melhor disco ao vivo da história do rock.

"At Fillmore East" traz a banda tocando ao vivo com apenas sete músicas, com quatro versões, ou releituras e três músicas da própria banda, abrindo o disco com "Statesboro Blues" de Will McTell com uma das entradas mais clássicas de todos os tempos, sendo usada como abertura de seus shows até hoje, e tendo nessa gravação um dos slides mais poderosos de Duane.

O disco segue com "Done Somebody Wrong" um R&B composto por Clarence L. Lewis, Elmore James e Morris Levy e com a participação de Thom Doucette na harmonica, a musica tem além da harmônica, o slide de Duane com o seu característico timbre Gibson mais Fuzz Face
com baterias gastas, aqui estão várias frases matadoras de Duane

Os clássicos duetos do Allman com as Twin Guitars de Betts e Duane, aparecem em "Stormy Monday", de T. Bone Walker, clássico do blues onde Gregg Allman mostra porque é considerado um dos maiores cantores brancos de blues.

"You Don’t Love Me" de Willie Cobbs, vem logo depois balançando a galera, o dueto Betts e Duane é de arrepiar, sem falar no groove matador da cozinha, mais afiada do que nunca, chacoalhando até o mais duro dos mortais, na seqüência "Hot’lanta" uma "Jam organizada" matadora bem nos moldes jazzísticos com tema, improviso, parte "B" mostrando as influências da banda com elementos Jazzy e a pitada psicodélica aliada à um grand finalle que é uma das características do Allman em seus concertos

Bom aí vem "In Memory of Elizabeth Reed" de Dickey Betts, sensacional e indescritível, espetacular, com uma harmonia diferente, uma linha melódica estranha, tempos compostos, solos arrasadores, não é à toa a lenda que ronda essa músicade que foi composta a partir de uma estatua de uma menina que os caras viram no cemitério que tinha apenas a frase "In Memory of Elizabeth Reed", very strange, aqui vai a minha contribuição aos leitores da coluna, escutem, não dá pra descrever,

Bom depois temos o pico da coisa toda, numa execução arrasa quarteirão de incríveis 23 minutos, a banda simplesmente chega ao topo do que pode se chamar de jam, improvisação, abandono e entrega. Em "Whipping Post", os caras iniciam o que depois de anos veio à ser rotulado de "jam band" Gregg Allman, e seus parceiros matam qualquer dúvida sobre a qualidade sonora da banda. Um fato curioso sobre "Whipping Post" é que ela foi incorporada ao set list de Frank Zappa depois que um fan ardoroso de Zappa, e muito provavelmente do Allman ficava gritando sem parar para tocarem "Whipping Post". Caso vocês queiram sacar que o Allman era nos seus primeiros anos de glória, basta escutar a gravação desta faixa, e lógico todo o disco que infelizmente corta boa parte do show original já que era comum os concertos do Allman chegarem à três ou quatro horas.

Escrito por Fábio Terra, guitarrista da banda O Bando Do Velho Jack
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