Hellyeah - Band of Brothers (Review)


"Band of Brothers" é o terceiro álbum de estúdio da banda de Southern Metal Hellyeah, lançado em 2012, pela Eleven Seven Music.

O novo álbum da banda Hellyeah, Band of Brothers, mantém com competência o selo de qualidade "Abbott". "Band of Brothers" apresenta uma sonoridade bem mais pesada do que os dois primeiros álbuns da banda, algo mais Pantera em "The Great Southern Trendkill" e "Reinventing The Steel", com um toque de Mudvayne e Nothingface. Você não pode pedir pra Hellyeah soar como Rebel Meets Rebel, até seria legal, mas seria necessário ter uma lenda como David Allan Coe e alguém tão criativo quanto Dimebag Darrell foi.

A primeira cacetada sonora é "War In Me" que desde o mês de abril estava no iTunes, nos mostrando que o álbum seria um pouco mais pesado, com vocal gritado e riff's bem mais Groove Metal, o que também me agradou. A letra da música me leva acreditar que se trata de uma guerra pessoal contra o alcoolismo, mas o lirismo de baixo calão também me faz acreditar numa guerra contra o sistema que nos tentam empurrar goela abaixo. (Não que eu esteja certo disso, só o autor sabe o que escreveu!), mas gostei da frase: "Live my life inside a hangover", então eu me pergunto: "Como seria viver minha vida dentro de uma ressaca?", daí eu lembro de que estou sóbrio já faz 11 meses.

A faixa título "Band of Brothers" já passeia por uma influência Mudvayne pra Nothingface, Chad Gray bem à vontade. A letra até me faz pensar em algo como a Guerra do Vietnã, bem ao estilo do filme "Full Metal Jacket" (também conhecido por Nascido para Matar; Born to Kill), uma letra bem agressiva como um soldado de instinto assassino pronto pra metralhar (Até consigo imaginar o Animal Mother, só que usando o capacete do Sgt. Cowboy, com aquela bandeira confederada colada). "Rage/Burn" se mantém tão agressiva quanto às duas primeiras músicas, mas com riff’s pesadamente mais cadenciados. A ótima "Drink Drank Drunk" nos leva bater ainda mais a cabeça, com riff’s vigorosos, refrão pra entornar o copo e causar um tumulto estilo hooligan dentro de um bar. É uma das músicas com uma raiz bem Pantera, Chad Gray certas horas encarna um pouco do Phil Anselmo (Isso foi um elogio!).

Na sequência "Bigger God" é como um desabafo alimentado por ódio e coerência. Destaco o ótimo trabalho do Bob Zilla, uma linha de contrabaixo bem alta, com guitarras executando harmônicos artificias, mais uma música pra bater cabeça. A faixa "Between You And Nowhere" é uma canção com violões de aço, uma levada mais suave, triste, pra ser a calmaria em meio ao som dos morteiros, assim como "Thank You" no primeiro álbum e "Better Man" em "Stampede". As faixas "Call It Like I See It" e "Why Does It Always" retornam com riff’s de grosso calibre, daqueles pra esmagar os miolos, e com Vinnie Paul massacrando sua bateria, sempre dando o seu melhor. O Vinnie Paul com certeza merece uma posição entre os dez maiores e melhores bateristas de música pesada de todos os tempos.

A próxima faixa "WM Free" surge com uma letra profunda, solidária, mas com um tom de indignação, falando do "The West Memphis Three", sobre aqueles três jovens que foram condenados (sem prova) por matar três crianças em um ritual satânico em West Memphis, Arkansas. É um assunto polêmico, já que envolve a família dos acusados e a família das vítimas, então, prefiro esquecer o que se trata a canção, e falar que é mais uma cacetada sonora pra bater cabeça, e refletir. "Dig Myself A Hole" surge com riff's recheados com muito groove e um ótimo refrão, mais uma ótima música, vai repetir mais vezes. O álbum encerra com "What It Takes To Be Me" mantendo em alto nível o número de canções pesadas, um Groove Metal com boas doses de Stoner (O seu pescoço ainda está no lugar?).

A banda disponibilizou o álbum já faz alguns dias, uma atitude honesta, do tipo: "Se gostou, compre!". Se você é fã da Hellyeah, mas desconhece o trabalho e ex-trabalho dos membros da banda, acredito que vai sentir que o álbum fugiu dos dois primeiros álbuns já lançados. "Band of Brothers" é como reviver um pouco da banda Pantera, vai agradar tanto os fãs mais novos e também os fãs veteranos, da geração Dimebag Darrell. O trabalho dos guitarristas continua me agradando, riff’s inovadores, às vezes sobrando espaço pra encaixar um pouco de slide ao estilo Texas, solos mais nervosos, souberam usar o phaser (efeito de pedal que quase nunca se encaixa bem) mas na mão de quem sabe, tudo é possível. Chad Gray surge cantando como costuma cantar na Mudvayne, uma voz com muita testosterona. Continuo feliz vendo Vinnie Paul dar o seu melhor, seguindo em frente. O título do álbum faz jus ao que a banda representa pra cada um deles, é mais que um supergrupo, a Hellyeah é como uma família. Recomendo, é o tipo de álbum pra turma que curte beber e bater cabeça.

Escrito por Augusto Monteiro e publicado originalmente na Taberna do Putardo. 
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