David Allan Coe - Um rebelde nato


Coe nasceu em Akron, Ohio no dia 6 de setembro de 1939. Depois de ser enviado para um reformatório aos 9 anos de idade, ele passou a maior parte dos próximos 20 anos nas penitenciárias. Coe recebeu o incentivo para começar a escrever músicas de Screamin' Jay Hawkins (um músico e ator afro-americano), com quem passou tempo na prisão. Coe foi mal atendido por detentos racistas porque ele era amigo de prisioneiros aro-americanos. Depois de concluir mais um mandato de prisão em 1967, Coe embarcou em uma carreira musicala em Nashville, vivendo em um carro fúnebre que ele estacionou na frente do Ryman Auditorium, onde o Grand Ole Opry está localizado, e chamou a atenção da gravadora independente Plantation Records, e assinou um contrato com a gravadora.

Em 1968, Coe lançou seu álbum de estreia, "Penitentiary Blues" (nome bem sugestivo), seguido por uma turnê com o Grand Funk Railroad. Em seu review para o site Allmusic, Thom Jurek diz o seguinte sobre o álbum: 

"Esta é a música caipira, pura e simples, recém-saída do inferno e tenta comunicar a vertigem de indulto, bem como seus horrores para o ouvinte".

Embora ele tenha desenvolvido um culto com suas performances, ele não foi capaz de desenvolver todo o sucesso mainstream, mas outros artistas alcançaram o sucesso com suas canções. "Would You Lay with Me (In a Field of Stone)" foi gravado por Tanya Tucker e alcançou o topo da Billboard Hot Country Singles, e "Take This Job and Shove It" também chegou ao topo após ser regravada por Johnny Paycheck.

"Requiem for a Harlequin", segundo álbum lançado por David Allan Coe,  saiu em 1970. Não existe nome nas faixas do álbum, o Lado A é chamado "The Beginning" e o Lado B, "The End". Este é um álbum conceitual em que Coe repetidamente usa a frase "Asphalt Jungle" para descrever sua vida.

Os dois primeiros álbum de David Allan Coe eram baseados no Blues, mas isso mudou em 1974 com o lançamento de "The Mysterious Rhinestone Cowboy", primeiro álbum Country de Coe, e "Once Upon a Rhyme" em 1975.

Ao longo dos anos 1970, David Allan Coe lançou diversos álbuns: "Longhaired Redneck" (1976), "Rides Again" (1977), "Texas Moon" (1977), "Tattoo" (1977), "Buckstone County Prison" (1978) e "Family Album" (1978).

"Nothing Sacred", lançado em 1978, continha letras "profanas" e muitas vezes fala de sexo explicito. O álbum também contém canções que insultam Jimmy Buffett e Anita Bryant. Buffett acusou Coe de plágio e outras rixas surgiram entre os dois, inclusive Coe escreveu uma música em homenagem a Buffett, chamada "Jimmy Buffett". Esse é álbum é extremamente criticado por ser profano e duro. Em um artigo publicado no The New York Times em 2000, Neil Strauss diz que o álbum é "um dos mais racistas, misóginos, homofóbicos e obscenos gravado por um compositor popular". Essa crítica também se estende ao álbum "Underground Album", lançado em 1982. Sobre as críticas aos álbuns, Coe disse o seguinte: "Qualquer um que ouve este álbum e diz que eu sou racista está cheio de merda".

Nota: É complicado não dizer que a música "Nigger Fucker" não seja racista, machista e obscena. Ela contradiz tudo o que já escrevi sobre o racismo no Southern Rock. Leiam a letra e tirem suas conclusões.

"Human Emotions" (1978) e "Compass Point" (1979) e "Spectrum VII" (1979), foram os próximos álbuns lançados por David Allan Coe e fecharam os anos de 1970 para David Allan Coe.

"I've Got Something to Say" foi lançado em 1980 e contou com a ilustre participação de Dickey Betts (Allman Brothers Band). "Invictus (Means) Unconquered" foi lançado em 1981.

Após o lançamento do criticado "Underground Album", com razão, David Allan Coe viu sua popularidade ressurgir para o mainstream com o lançamento de "Castles in the Sand" (1983), "Hello in There" (1983) e "Just Divorced" (1984).

David Allan Coe mostrou para o mundo um gênio: Warren Haynes. Ele teve sua primeira chance quando tinha acabado de completar 20 anos de idade, juntando-se a turnê de David Allan Coe. O baixista Mikey Hayes foi quem viu Haynes pela primeira vez se apresentando em uma boate chamada "The Brass Tap" em Asheville , Carolina do Norte. Coe e a banda tinham acabado de terminar um filme chamado "Lady Grey" (1982), e Coe havia decidido trocar o guitarrista da época, com a indicação de Hayes, que disse a Coe que ele era um guitarrista promissor, Haynes foi contratado para se juntar a banda.

Durante vários anos Haynes excursionou com a banda de Coe pelos Estados Unidos, Noruega, Dinamarca e Grã-Bretanha, entre outros. Durante a gravação de um álbum de David Allan Coe em Nashville, Tennessee, Coe saiu e voltou com os amigos Dickey Betts, Gregg Allman e Don Johnson (que estava atuando no programa de televisão Miami Vice). Esta foi a primeira aparição de Haynes para Dickey Betts.

Depois de tocar com Coe por anos, Warren Haynes e Mickey Hayes deixaram a banda e mudaram-se para Nashville, onde dividiam um apartamento e trabalharam juntos para formar a banda Rich Hippies. A história que se segue é conhecida e não é necessário contar....

O grande feito de David Allan Coe na década de 1990 foi ter conhecido a lenda Dimebag Darrell, guitarrista do Pantera e Damageplan, e integrar o projeto Rebel Meets Rebel. A banda era formada por David Allan Coe nos vocais e guitarra, Dimebag Darrel como guitarrista e backing vocals, Rex Brown no baixo e Vinnie Paul na bateria. As músicas foram escritas e compostas quando os músicos não estavam engajados com seus projetos principais, incluindo a turnê mundial do Pantera com seu álbum "Reinventing the Steel".

O álbum homônimo foi lançado em 2 de maio de 2006, pela gravadora de Vinnie Paul, Big Vin Records, após o assassinato de Dimebag Darrel em 2004

Em 2000, Coe excursionou como banda de abertura para Kid Rock e nesse mesmo período foi publicado no The New York Times o artigo escrito por Neil Strauss, em que esse crítica dois álbuns lançados por Coe, e digo mais uma vez, de forma justa.

David Allan Coe e suas influências do Blues, Rock e Country, teve seus erros e acertos durante a sua carreira. Stephen Thomas Erlewine é um critico que admiro muito e disse o seguinte sobre Coe:

"Um grande cantor de música country, sem vergonha, cantando o Country mais puro honky-tonk mais difícil de sua época [...] Ele pode não ser o fora da lei mais original, mas não há nenhum fora da lei como ele".

Um renegado ao longo da vida, David Allan Coe é um dos personagens mais imprevisíveis da história da música Country. Um dos artistas pioneiros do movimento Outlaw Country dos anos 1970, ele não teve grandes sucessos - apenas três de seus singles no Top Ten - mas é uma das maiores figuras da música Country.

Para quem tiver tempo, leiam uma entrevista que o David Allan Coe deu para o site Country Standard Time, chamada "David Allan Coe rebuts racism charge".
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