Pride & Glory - Biografia


Acho que é bobeira falar quem é Zakk Wylde, me arrisco a dizer que é impossível um ser humano que escute Southern Rock, Hard Rock e Heavy Metal, que não conheça o Zakk Wylde.


Mas falando de Pride and Glory, a banda foi formada ainda durante a turnê do álbum "No More Tears", lindamente apelidada de "No More Tours", a que seria a última turnê do Ozzy Osbourne. A banda surgiu como um projeto paralelo de Zakk e, inicialmente, foi chamado de Lynyrd Skynhead, que contava com o baixista James LoMenzo (White Lion, Pride and Glory, Slash's Snakepit, Black Label Society, Ozzy Osbourne, David Lee Roth e Megadeth) e o baterista Greg D'Angelo (Anthrax, White Lion e Ace Frehley). Na verdade, era uma banda-tributo ao Southern Rock, que banda-tributo, e tocava músicas do Allman Brothers, Lynyrd Skynyrd, ZZ Top e Mountain. Eles gravaram a faixa "Farm Fiddlin'" para a compilação "The Guitars That Rule the World" (1991) e  o cover "Baby Please Don't Go" para a compilação "L.A. Blues Authority Vol. 1" (1992). [Nota: o blog A Taberna do Putardo disponibilizou um bootleg gravado na cidade de Novi, Michigan, em 1993]

O Pride and Glory foi lançar seu primeiro e único álbum em 1994. "Pride and Glory" é um álbum, me desculpem os que discordam, perfeito, faz uma mistura de Southern Rock, Blues, Country e Heavy Metal, fora que o Zakk ainda nos presenteia com ótimas performances na gaita, banjo, harmónica e bandolim. Greg D'Angelo saiu da banda antes do inicio das gravações e em seu lugar entrou Brian Tichy (Whitesnake, Billy Idol, Ozzy Osbourne, Velvet Revolver e Foreigner).

Três singles foram lançados do álbum: "Losin' Your Mind" (Um vídeo acompanhou a música gravada nos pântanos de New Orleans. A letra da canção conta o testemunho de alguém caiu no vício das drogas), "Horse Called War" (Um vídeo da música foi gravado em preto e branco que mostra a banda tocando em um estúdio ao vivo) e "Troubled Wine".

O álbum alcançou a 3° colocação na Billboard Top Heatseekers e a 173° colocação na Billboard 200. "Losin' Your Mind" alcançou a 14° colocação na Billboard Mainstream Rock Tracks.

A banda caiu na estrada, tocou em festivais pela Europa, fez shows nos Estados Unidos e Japão. Após os shows no Japão, James Lomenzo deixou a banda, sendo substituido por DeServio.

O Pride and Glory fez seu último show em 10 de dezembro de 1994, em Los Angeles. Este show contou com a participação de Slash, guitarrista dos Guns n' Roses, tocando nas músicas "Voodoo Chile" (Hendix) e "Red House". Depois disso Zakk quase entrou no Guns n' Roses, gravou ao lado do Ozzy por mais alguns anos, gravou a sua obra-prima, "Book of Shadows", criou o Black Label Society e se tornou um dos grandes guitarristas de todos os tempos.

Em 31 de janeiro de 1998, a banda original se reuniu para um show de reencontro em Hollywood, Califórnia.

O Pride and Glory é uma banda que ganhou pouco prestígio em uma época dominada pelas "bandas" do movimento grunge, assumindo sua influência sulista. Um álbum inquestionável e único, que mostra que o bom Southern rock também pode vir de New Jersey. Zakk nunca conseguiu mostrar seu verdadeiro potencial ao lado do Ozzy, mas na sua carreira solo, ele esbanja todo o seu talento, mostrando o porque dele ser considerado um dos melhores no que faz.

Termino essa breve biografia com as impressões faixa a faixa feita por João Paulo Linhares Gonçalves em seu review para o Wiplash!:

1 - "Losin' Your Mind" - uma introdução de banjo já marca a sonoridade diferente que este disco apresenta. Claro que o peso característico do heavy metal vem a seguir, mas esta frase de banjo vai permeando toda a canção. Foi escolhida como primeiro single provavelmente por este motivo, por mostrar claramente que não era simplesmente um trabalho de heavy metal, e sim trazia fortes raízes sulistas. A canção tem andamento moderado, mas na hora do solo Zakk brilha e demonstra suas qualidades.

2 - "Horse Called War" - depois de iniciar o álbum com uma introdução de banjo, esta canção tende mais para o heavy metal tradicional, com um refrão que tem melodia mas não tanto quanto a anterior. Zakk usa bem o wah-wah e sola melhor ainda. A cozinha é um destaque aqui. Foi o segundo single do disco.

3 - "Shine On" - esta canção tem um comecinho mais lento super inspirado em bandas clássicas, como Allman Brothers. Logo a seguir um pouco de peso e uma gaita marcante contrastando. Mais doses dos poderosos solos de nosso guitarrista e repetições do refrão, um falso fim, com um retorno firme numa levada de peso. Lomenzo faz uma forte linha de baixo que Zakk aproveita para nos dar mais solos. Um dos destaques do disco!

4 - "Lovin' Woman" - quem acompanha a discografia do Black Label Society sabe que, por trás de todo aquele peso, temos diversas baladas, belíssimas. Zakk mostra que esta característica é marcante desde seu começo com Ozzy e as lindas baladas de "No More Tears", e aqui também. Mais uma vez a gaita se faz presente, desta vez de forma suave para complementar esta bonita canção.

5 - "Harvester of Pain" - um riff pesado marca o começo desta música, típico de Zakk Wylde. Mas a canção em si não é tão pesada. Ela até apresenta trechos mais lentos e cadenciados, mas se apresenta como uma boa canção.

6 - "The Chosen One" - o baixo de James Lomenzo introduz esta música, bem pesado (James mais tarde iria usar muito o peso no Megadeth). Mais uma vez, a canção tem andamento mais cadenciado. É uma prova de que o disco tem uma divisão clara de influências, o heavy metal e o rock sulista. Uma camada suave de orquestração complementa a música. Esta camada fica clara enquanto Zakk sola.

7 - "Sweet Jesus" - Zakk, além de tocar guitarra muito bem, toca piano de forma bela. Esta introdução no piano, com orquestrações suaves complementares, deixam esta canção a balada mais bela do disco. O solo suave acompanha a beleza da canção.

8 - "Troubled Wine" - terceiro single do disco (mas sem nenhum vídeo gravado para ela), esta começa com uma introdução sulista que cai para uma levada cadenciada pelo peso da guitarra de Zakk. O refrão é o mais melódico de todo o álbum. Talvez esta canção seja o grande destaque do disco.

9 - "Machine Gun Man" - esta vai se conhecida de todos que compraram a coletânea "Skullage", do Black Label Society (ela abre o disco). Uma canção acústica bela com uma dose de peso no refrão que também se destaca neste álbum.

10 - "Cry Me A River" - outra de levada acústica, melodiosa e gostosa de se ouvir. Doses cavalares de influência sulista e até um pouco de country music, um refrão belo e terei que rever se esta ou "Troubled Wine" é o maior destaque do disco... Fico com as duas!

11 - "Toe'n The Line" - depois de duas acústicas, esta começa com o pé embaixo, com peso forte. Pra reforçar, alguns efeitos na voz de Zakk. No meio, uma levadinha mais suave, para introduzir mais um grande solo. Outro destaque deste belo disco!

12 - "Fadin' Away" - mais uma balada com introdução baseada no piano bem tocado de Zakk. Melodia bela e suave, as baladas de Wylde sempre deixam boa impressão. Esta é mais uma delas. As outras do disco são melhores, mas esta não é ruim.

13 - "Hate Your Guts" - esta é mais pra fechar o disco com um certo humor. Com uma levada country, meio humorística, com letra passando uma mensagem odiosa. Ainda com um coro brega no fundo, para zoar mesmo. Talvez esta música seja ainda resquício da época em que a banda era mais um tributo. Acabou sendo gravada e fechou o álbum.

E as impressões do disco bônus, faixa a faixa:

1 - "The Wizard" - esta cover do Black Sabbath foi tirada numa levada bem ao estilo rock sulista, talvez tenha sido a cover que ficou com a melhor versão, das que compõem este disco extra.

2 - "Torn and Tattered" - o disco extra também traz as típicas baladas de Zakk. Esta bem no estilo acústico. A gaita suave também ajuda, como na música "Lovin' Woman", só que nesta Zakk aplica um pouco de piano também.

3 - "In My Time of Dyin'" - outra cover da santíssima trindade, esta tem a cara deste disco, a introdução dela tem tudo a ver. Agora, fazer cover de um clássico deste tamanho deixa muita responsabilidade nas costas de quem se arrisca. O Pride and Glory se sai bem, mas o original é imbatível, não tem jeito...

4 - "Found A Friend" - outra bela balada, com peso e muita melodia. Esta canção saiu no disco original (era a faixa 12). Esta versão com dois discos acabou colocando-a para o segundo disco, acidentalmente.

5 - "The Hammer and The Nail" - uma típica canção sulista, curtinha e direta. Bem colocada no segundo disco...

6 - "Come Together" - mais uma cover de banda muito importante. Esta é de ninguém menos que os Beatles. A opção do Pride and Glory foi de uma versão mais suave, baseada no piano de Zakk Wylde. Ficou bem diferente, mas ainda legal.
Tecnologia do Blogger.