The Allman Brothers Band - Eat a Peach (Review)


Após o lançamento do aclamado "At Filmore East", o Allman Brothers foi para o estúdio gravar um de seus álbuns mais clássicos. Na verdade o álbum não é completamente de estúdio, tendo 3 faixas gravadas no Filmore East em 1971. A parte de estúdio foi gravada no Criteria Studios, Miami, Flórida, entre os meses de setembro e dezembro de 1971.

Tudo estava acontecendo para que o álbum fosse um verdadeiro sucesso, a banda estava entrosada e era uma das mais requisitadas do circuito musical, sendo considerada uma das melhores ao vivo. Mas no dia 29 de outubro de 1971, uma sina do Southern Rock se iniciaria nesse dia, a da morte prematura de seus ídolos. Howard Duane Allman morreu nesse dia devido a um acidente de moto na cidade de Macon, Geórgia, aos 24 anos de idade.

Nesse momento as gravações de "Eat a Pech" estavam quase no fim, mas o ocorrido foi fatal para a banda naquele momento. Os cinco membros restantes da banda decidiram se separar por algumas semanas. A dor pela perda de Duane era óbvia, principalmente por parte de Gregg, seu irmão mais velho, mas ainda assim os integrantes do Allman Brothers decidiram continuar, tornando "Eat a Peach" um tributo a Duane Allman. A banda decidiu preencer o vazio causado pela falta de Duane com a música, algo que ele dedicou sua vida.

A revista Rolling Stone diz em um de seus reviews:

"Às vezes tudo parece ser questão de sobrevivência e aprender a viver com a perda. Rock e blues perderam uma grande quantidade de pessoas nos últimos cinco anos, mas a morte de um artista que sempre diminui a música mais do que a morte de uma "estrela" e Duane Allman era um artista."

O álbum foi lançado no dia 12 de fevereiro de 1972 pela Capricorn Records.

"Eat a Peach" é composto por 9 faixas, 3 gravadas ao vivo e 6 em estúdio:

  1. "Ain't Wastin' Time No More" (Gregg Allman) – 3:40
  2. "Les Brers in A Minor" (Dickey Betts) – 9:03
  3. "Melissa" (Gregg Allman/Steve Alaimo) – 3:54
  4. "Mountain Jam" (Donovan Leitch/Duane Allman/Gregg Allman/Dickey Betts/Jai Johanny Johansen/Berry Oakley/Butch Trucks) – 33:38 (Ao Vivo)
  5. "One Way Out" (Marshall Sehorn/Elmore James) – 4:58 (Ao Vivo)
  6. "Trouble No More" (McKinley Morganfield) – 3:43 (Ao Vivo)
  7. "Stand Back" (Gregg Allman/Berry Oakley) – 3:24
  8. "Blue Sky" (Dickey Betts) – 5:09
  9. "Little Martha" (Duane Allman) – 2:07

Review faixa a faixa:

"Ain't Wastin' Time No More" foi escrita por Greeg antes da morte de Duane e fala como ele lida com pensamentos sobre a imortalidade. Sem dúvidas é uma das faixas mais encantadoras do Allman Brothers, iniciando-se com o piano tocado por Gregg e logo começa um riff maravilhoso, fora que o refrão da faixa é grudento e fica em na cabeça mesmo depois que paramos de ouvir a música. É uma faixa bem característica do Allman Brothers, tendo como sempre um instrumental perfeito amparado pelo vocal de Gregg.

"Les Brers in A Minor" começa em um ritmo bem lento e ao longo de seus pouco mais de nove minutos, e exatamente aos 03:45 de música ganha um ritmo mais acelerado e fica maravilhosa e, para mim, é a segunda melhor faixa instrumental da banda, ficando atrás apenas de "Jessica", que aparece no álbum seguinte da banda, "Brothers and Sisters". Essa faixa, como diz um grande amigo, é delirante.

"Melissa" foi escrita em 1967 por Gregg Allman e Steve Alaimo. A música não foi escrita para uma mulher chamada Melissa. A canção foi escrita antes de Gregg surgiu com o nome. Ele disse que estava em pé na fila de um supermercado, quando ele ouviu uma mulher gritar para a filha: "Oh, Melissa! Melissa, volta, Melissa". Ele gostou do nome e decidiu que era um ajuste perfeito para a canção. "Melissa" é uma das minhas baladas preferidas, a letra é muito bem feita, o instrumental nem se fala e é uma das melhores faixas cantadas por Gregg Allman. Até hoje essa é uma das faixas obrigatórias nos set lists dos shows do Allman Brothers.

Agora aparece no álbum as três faixas gravadas ao vivo.

É surpreendente de como a banda conseguiu manter a mesma energia do começo ao fim na faixa "Mountain Jam", um improviso da faixa "There is a Mountain" de Donovan Leitch. Para quem não gosta de músicas instrumentais, nem precisa começar a ouvir essa faixa, pois irá achar um saco, mas se você gostar de um instrumental completamente improvisado, essa é uma música para ser ouvida com carinho. Prestem atenção no solo de Duane nos últimos 10 minutos. Simplesmente sensasional.

"One Way Out" e "Trouble No More" são músicas clássicas de Blues. Ambas são performances ao vivo e encontram uma banda na sua zona de conforto, uma vez que apresenta interpretações sólidas. "Trouble No More" é bem mais contagiante que "One Way Out", ambas são regravações, mas na versão de "Eat a Peach" foi introduzido a magia do Allman Brothers.

Em "Stand Back" Duane mostra toda a sua técnica na slide guitar e é uma faixa muito agradável.

"Blue Sky" é uma das minhas faixas favoritas desse álbum e contém us dos solos mais bonitos que já ouvi. Duane participou dessa faixa, mas morreu antes de seu lançamento. Duane Allman e Dickey Betts tocam juntos o solo - Duane vai primeiro, seguido por Dickey. Eles alternam no meio - elas podem ser ouvidas sincronizando-se sobre um riff de duas medidas mais ou menos em torno de 2:30. Raras as vezes essa faixa foi tocada ao vivo por Duane e uma dessas ocasiões pode ser ouvida em "S.U.N.Y. at Stonybrook: Stonybrook, NY 9/19/71", lançado em 2003. Esta é a primeira vez Dickey Betts cantou em uma faixa do Allman Brothers.

"Little Martha" é mais uma instrumental do álbum, uma das mais belas da banda. Escrita por Duane Allman e foi gravada poucas semanas antes da morte se seu autor, sendo um dueto composto por Duane e Betts. Dizem que Duane tirou a inspiração para compor a faixa após ter sonhado com Hendrix, sendo que esse teria lhe mostrado a melodia da canção no hotel Holliday Inn, tendo usado uma torneira  como violão ou guitarra. Essa faixa encerra o álbum em grande estilo, pois mostra todo o talento de um gênio que se foi prematuramente, Duane Allman.

E o que disse a critica?

"Eat a Peach" pode muito bem ser considerado o álbum de transição do Allman Brothers. É de todas as maneiras, notavelmente, fluido e coeso. O trabalho de guitarra de Duane Allman, exclusivamente pessoal, impressiona em mais de metade dos cortes. Metade do álbum é uma jam eminentemente satisfatória que foi gravada no Fillmore East. Do estúdio, faixas como "Melissa", "Blue Sky" e "Trouble No More" parecem particularmente bem executadas. Billboard, 1972.

O lado três é um testamento magnífico. Ele abre com Gregg fazendo justiça a Sonny Boy Williamson, através de um dos acompanhamentos mais intensos que Duane já fez, pula em uma exuberante sintonia com Dickey Betts, e fornece uma coda (a seção de fechamento de uma composição musical) cheia de sensibilidade em um dueto acústico de dois minutos. [...] E os lados dois e quatro compreendem a 34 minutos com um tema por demais relaxante de Donovan Leitch. Eu sei que o ritmo de vida é lento lá em baixo, mas isso beira o coma. E toda a fita em que o mundo não vai trazer Duane de volta. Robert Christgau, Christgau's Record Guide, 1981.

Metade do "Eat a Peach" é composto por mais improvisos inflamados das datas do Fillmore, na forma do "Mountain Jam". Mesmo que este foi lançado depois do acidente fatal de motocicleta de Duane Allman, as partes de estúdio incluem algumas faixas mostrando seu trabalho. Criativamente, a banda estava no auge da forma, com grandes faixas como "Ain't Wastin' Time No More", "Melissa", "One Way Out", "Stand Back," "Blue Sky", e o delicado violão instrumental de "Little Martha"Rick Clark, The All-Music Guide to Rock, 1995.

"Eat a Peach" inclui músicas dos shows no Fillmore, incluindo "Mountain Jam" de 33 minutos (que nos dias de vinil consumiu dois lados!), bem como grandes novas músicas como "Melissa" e "Blue Sky"Alan Paul, Musichound Rock: The Essential Album Guide, 1996

"Eat a Peach" encerra um momento mágico da carreira do Allman Brothers. A morte de Duane Allman e Berry Oakley no ano seguinte, influenciaram muito para isso. "Eat a Peach" é um clássico e isso não se discute.
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