Grateful Dead - Biografia (1965 - 1970)


O Warlocks (nome da banda antes de se chamar Grateful Dead), um grupo formado no início de 1965 que juntou os membros restantes da banda Mother McCree's Uptown Jug Champions, fez seu primeiro show no Pizza Magoo's, no subúrbio de Menlo Park, Califórnia, em 05 de maio de 1965. Eles ainda eram conhecidos como Warlocks, embora o Velvet Underground também estivesse usando esse nome, na costa leste. A banda mudou seu nome depois de descobrir que uma outra banda de mesmo nome, tinha assinado um contrato de gravação (não o Velvet Underground, que também tinha mudado seu nome). O primeiro show sob o novo nome Grateful Dead foi em San Jose, Califórnia, em 04 de dezembro de 1965. Mais tarde naquele mês, o Grateful Dead se apresentou no Trips Festival. O primeiro registro ao vivo da banda gravado e conhecido nos dias atuais, foi no Fillmore Auditorium, no dia 8 de janeiro de 1966 e pode ser encontrado no Archive.org.

Os membros fundadores do Grateful Dead foram: Jerry Garcia, Bob Weir, Ron "Pigpen" McKernan, Phil Lesh e Bill Kreutzmann, sendo essa a formação clássica da banda. Lesh foi o último membro a aderir ao Warlocks antes de se tornarem o Grateful Dead, substituindo Dana Morgan Jr., que tocava baixo em alguns concertos. Com exceção da McKernan, esse foi o núcleo da banda por 30 anos, até a morte de Garcia, em 1995.

O nome "Grateful Dead" foi escolhido a partir de um dicionário. De acordo com Phil Lesh, em sua biografia (p. 62),  "...[Jerry Garcia] pegou um velho Britannica World Language Dictionary ... [e] ... E me disse, "Ei, cara, o que acha de Grateful Dead?" A definição não era "a alma de uma pessoa morta, ou o seu anjo, mostrando gratidão a alguém que, como um ato de caridade, organizou seu sepultamento." De acordo com Alan Trist, Garcia encontrou o nome no Funk & Wagnalls Folklore Dictionary, quando seu dedo pousou sobre essa frase. O  termo "grateful dead" aparece em lendas populares de uma variedade de culturas. No verão de 1969, Phil Lesh contou outra versão da história: "Jerry encontrou o nome espontaneamente quando ele pegou um dicionário e folheou as páginas. As palavras "grateful" e "dead" apareceram em linha reta oposta uma a outra através da fresta entre as páginas de texto."

Uma das primeiras apresentações do grupo em 1967 foi no Mantra-Rock Dance, um festival realizado em 29 de janeiro de 1967 no Avalon Ballroom pelo templo Hare Krishna de San Francisco.

Em 1967 a banda lança seu primeiro trabalho de estúdio, "The Grateful Dead", lançado pela Warner Brothers. O álbum foi gravado no Studio A, em Los Angeles em apenas quatro dias. A banda queria gravar o álbum em sua cidade natal, San Francisco, mas não existiam bons estúdios de gravação na área no momento. O grupo escolheu David Hassinger para produzir, porque ele tinha trabalhado como engenheiro na faixa "(I Can't Get No) Satisfaction"  dos Rolling Stones e no álbum "Surrealistic Pillow" do Jefferson Airplane. Uma versão remasterizada com as versões completas de cinco faixas do álbum, além de seis faixas bônus, foi lançado pela Rhino como parte do box set The Golden Road (1965-1973) em 2001 e como um álbum independente em 2003.  No projeto original para a capa do álbum, a escrita enigmática na parte superior dizia: "Na terra da escuridão, a nave do sol é impulsionada pelo Grateful Dead", com a frase "Grateful Dead", em letras grandes. A pedido da banda, a escrita, com exceção de "Grateful Dead", foi modificada pelo artista Stanley Mouse, que a tornou ilegível.

Após o lançamento do álbum de estréia, a banda foi para o estúdio novamente e com o mesmo produtor do álbum anterior, David Hassinger. Dessa vez a banda estava determinada a produzir um álbum mais complicado, a idéia era tentar reproduzir com fidelidade o som da banda ao vivo em estúdio.

A banda e depois Hassinger mudaram-se para Nova York, em dezembro daquele ano. Hassinger ficou frustrado com o ritmo do grupo nas gravações e decidiu encerrar o projeto completamente, enquanto a banda estava no Century Sound, com apenas um terço do álbum completo. Foi relatado que ele deixou depois de o guitarrista Bob Weir ter solicitado para ele criar a ilusão de "ar denso" no estúdio. A banda então recrutou o seu sonoplasta, Dan Healy, para auxiliá-los no estúdio para o resto do álbum e se dirigiram de volta ao estúdio de San Francisco, o Coast Recorders.

As gravações do que viria a ser "Anthem of the Sun" demoraram cerca de seis meses, a demora ocorreu pelo fato de a banda ter feito diversas apresentações ao vivo. Lesh comentou que isso aconteceu, em parte porque as músicas não eram "amplamente testadas". Healy, Garcia, Lesh pegaram as fitas gravadas nesses concertos (incluindo duas datas em Los Angeles em de novembro de 1967, uma turnê do Noroeste do Pacífico em janeiro/início de fevereiro de 1968, e uma turnê na Califórnia em meados de fevereiro/março de 1968) e começaram a entrelaçar-las com faixas de estúdio existentes. Garcia chamou isso de "mix[ing] it for the hallucinations".

Ao todo, o álbum saiu como pretendido, complexo. Garcia comentou que algumas partes do álbum foram "muito longe, muito longe mesmo... Nós não estávamos fazendo um registro no sentido normal, estávamos fazendo uma colagem". Para poder obter uma divulgação melhor, a banda decidiu dividir em quatro partes a faixa introdutória, "That's It for the Other One""Anthem of the Sun" também traz a primeira composição em parceria com Robert Hunter, que nos álbuns que se seguiram, co-escreveu com Garcia diversos clássicos da banda, na faixa "Alligator". O álbum foi classificado pela revista Rolling Stone como o 287° álbum mais importante da história.

Em 1969 dois álbuns foram lançados: "Aoxomoxoa" e "Live/Dead".

O grupo já havia iniciado as sessões de gravação do álbum, quando Ampex lançou o primeiro aparelho de gravação multicanal (é um método de gravação sonora que permite o registro em separado de múltiplas fontes de som para criar um resultado final coesivo). Isso dobrou o número de faixas que a banda tinha disponível quando eles gravaram "Anthem of the Sun" no ano anterior. Como conseqüência direta, a banda passou oito meses para se acostumar e experimentar a nova tecnologia. "Aoxomoxoa" trouxe uma série de novidades. É o primeiro álbum da banda gravado em/ou perto de sua cidade natal, San Francisco. É o primeiro álbum de estúdio a incluir o pianista Tom Constanten como membro permanente. Foi também o primeiro a ter o letrista Robert Hunter como colaborador em tempo integral para a banda, iniciando assim a parceria Jerry Garcia / Robert Hunter que durou até o término da banda. Foi também a primeira vez que a banda deu ênfase as canções acústicas, como "Mountains of the Moon" e "Dupree's Diamond Blues", e Lesh tocou baixo acústico pela primeira vez. Uma curiosidade: o álbum custou 180 mil doláres. Muitos Deadheads (mais a frente explico o que isso significa) consideram esse álbum o ápice da experimental da banda.
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O título do álbum é um palíndromo criado por Rick Griffin e Robert Hunter. De acordo com a versão em áudio do livro de memórias Rock Scully, "Living with the Dead", o título é pronunciado como "ox-oh-mox-oh-ah". O nome da banda na frente do álbum, escrito em grandes letras maiúsculas, é um ambigrama que pode ser lido também "we ate the acid" ou "nós comemos o ácido". A obra de arte ao redor da borda inferior da capa do álbum retrata várias representações fálicas. Em 1991, a Rolling Stone elegeu a capa do álbum como a oitava melhor de todos os tempo.


"Live/Dead" é o primeiro álbum oficial ao vivo lançado pelo Grateful Dead. Foi gravado em uma série de concertos ao vivo em 1969 e lançado no final do ano em 10 de novembro. Na época de seu lançamento, Robert Christgau escreveu que o segundo lado do álbum continha "a melhor improvisação de rock já gravada". No site Allmusic encontra-se a seguinte frase: "poucas gravações conseguiram representar a essência de um artista em performance tão fielmente como Live / Dead". Em 2003, o álbum ficou na 244° na lista da revista Rolling Stone dos 500 maiores álbuns de todos os tempos.

Em 1974 o Grateful Dead lança seu quarto álbum de estúdio, "Workingman's Dead". Foi gravado em fevereiro de 1970 e lançado originalmente em 14 de junho de 1970.  A banda retornou ao Pacific High Recording Studio, em San Francisco para gravar o álbum e ficou apenas nove dias lá. Além do peso da sua dívida na produção de seu álbum anterior, "Aoxomoxoa", a banda também foi lidar com o estresse de uma recente apreensão de drogas em Nova Orleans.

Canções como "Uncle John's Band", "High Time" e "Cumberland Blues" foram trazidos à vida com harmonias elevadas e camadas de texturas vocais que não tinham sido uma parte do som da banda até agora.  A Warner Bros lançou "Uncle John's Band" com suporte de "New Speedway Boogie" como single, mas recebeu um airplay limitado, alcançando apenas a 69° colocação na Billboard Hot 100. O fato é que o Grateful Dead nunca foi um grande frequentador dos charts (falo com relação aos singles) e quando aparecia, não ia bem, mas toda regra tem a sua excessão, o Dead emplacou uma top 1 nos charts, mas isso é assunto para outra parte da biografia.

O álbum foi votado pelos leitores da revista Rolling Stone como o melhor álbum de 1970, na frente de Crosby, Stills, Nash and Young com "Déjà Vu" e Van Morrison com"Moondance". Em 2003, o álbum ficou em 262° na lista da revista Rolling Stone dos 500 maiores álbuns de todos os tempos. O álbum foi relançado em 2003 em três versões diferentes, como parte do box "The Golden Road (1965-1973)", como um CD remasterizado e expandido e como lançamento de um DVD-áudio. Os dois primeiros contêm oito faixas exclusivas, enquanto o segundo contém apenas as faixas originais.

Ainda em 1970 a banda lança um novo álbum, "American Beauty". Foi gravado entre agosto e setembro de 1970 e lançado originalmente em novembro de 1970 pela Warner Bros Records. O álbum continuou com folk rock e country explorados em "Workingman's Dead" e apresenta as letras de Robert Hunter como destaques.

A banda começou a gravar "American Beauty" apenas alguns meses após o lançamento de "Workingman's Dead". Ambos os álbuns foram inovadores na época por sua fusão de bluegrass, rock and roll, folk music e, especialmente, country. Em comparação com "Workingman's Dead",

"Truckin' " e "Ripple" foram lançados como single, e as canções "Box of Rain", "Sugar Magnolia" e "Friend of the Devil" também foram tocadas nas rádios. Em seu livro sobre Garcia, Blair Jackson observou que "se você gostou de rock and roll em 1970, mas não gostou do Dead, você estava sem sorte, porque eles eram incontornáveis ​​comoque o verão e o outono." É o último álbum com Mickey Hart, até seu retorno à banda de quatro anos depois, em 1975.

Em 2003, o álbum ficou em 258 na lista da revista Rolling Stone dos 500 maiores álbuns de todos os tempos. Em 1991, a Rolling Stone classificou a capa do álbum como a 57° melhor de todos os tempos.

Continue lendo em Grateful Dead - Biografia (1971 - 1975)

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