Molly Hatchet - Biografia


O Molly Hatchet surgiu em 1975 e é proveniente da cidade, celeiro de boas bandas, de Jacksonville, na Flórida. A primeira formação da banda contava com Danny Joe Brown nos vocais, Bruce Crump na bateria, Banner Thomas no baixo, e seus três guitarristas: Dave Hlubek, Steve Holland e Duane Roland. Certa vez a revista People disse que "a interação entre suas guitarras gera um entusiasmo contagiante que dá ao Hatchet um sentido de energia tão grande quanto qualquer banda de música pop".

Durante um bom tempo a banda não teve um nome fixo, até que eles decidiram escolher um nome. Cada membro da banda sugeriu um nome e o escolhido foi Molly Hatchet, que era o nome de uma prostituta do do século XVII, que, supostamente, decapitava e mutilava seus clientes.

A banda começou a tocar em pequenos bares e clubes pela região e não demorou muito para que chamassem a atenção da Epic Records e, do já mítico, Ronnie Van Zant. Estava tudo certo para o lançamento do álbum de estréia da banda, que teria como produtor Ronnie Van Zant, mas a morte do vocalista do Lynyrd Skynyrd adiou as gravações e eles tiveram que arrumar um outro produtor, Tom Werman.

O álbum de estréia da banda, "Molly Hatchet", foi lançado em 1 de setembro de 1978 pela Epic Records. Dizem que o álbum de estréia de uma banda é fundamental para o resto de sua carreira e o Molly Hatchet não decepcionou em sua estréia. Com claras influências, das já clássicas bandas do Southern Rock, de Lynyrd Skynyrd, Allman Brothers e de bandas de Hard Rock, o Molly Hatchet estréia com um álbum magnifico. Os destaques do álbum ficam para "Bounty Hunter", "Gator Country", "Dreams I'll Never See" e "Big Apple". O álbum já vendeu mais de 1 milhão de cópias nos EUA e é sem dúvida um dos maiores clássicos do Southern Rock. [Nota: Fico imaginando como seria esse álbum de estréia se Ronnie Van Zant tivesse produzido esse álbum.]

N turnê que se seguiu ao lançamento do álbum, o Molly Hatchet abriu shows para o Aerosmith, Bob Seger, REO Speedwagon, UFO e diversas outras bandas de renome, que ajudaram a alavancar ás vendas do seu álbum de estréia.

O álbum de estréia não foi bom só pelas músicas, mas também pela arte da capa. A pintura que estampa a capa do álbum "Molly Hatchet", intitulada "The Death Dealer" é de autoria do artista Frank Frazetta. A capa se distancia de tudo o que era feito dentro do Southern Rock e de muitos estilos da época. As pessoas que não conhecem a banda, devem olhar para essa e as demais capas dos álbuns e dizer: "Capa bacana, deve ser uma daquelas bandas tipo Manowar!". Mas vale lembrar que o Manowar é antecessor ao Molly Hatchet e sem dúvida essa capa inspirou outras diversas ao redor do mundo.

O segundo álbum da banda, "Flirtin' with Disaster", foi lançado em outubro de 1979 e não demorou para se tornar um sucesso, pois em cerca de 5 meses vendeu mais de 1 milhão de cópias e em 1986 ultrapassou a marca de 2 milhões de cópias vendidas nos EUA. O álbum conta com mais uma capa desenhada por Frank Frazetta, intitulada "Dark Kingdom". Os destaques do álbum são as faixas "Whiskey Man", "It's All Over Now", "Flirtin' with Disaster", "Let the Good Times Roll", "Boogie No More" e "Gunsmoke". Hard Rock puro e sem frescuras.

Tudo estava indo muito bem, dois ótimos CD's lançados, milhões de álbuns vendidos em dois anos e uma enorme base de fãs formada, mas aconteceu em 1980 a primeira baixa na formação da banda. O vocalista Danny Joe Brown deixou a banda após alguns desentendimentos, fora que ele tinha acabado de ser diagnosticado com Diabetes. Jimmy Ferrar assumiu os vocais para o próximo álbum.

Junto com Farrar veio uma nova abordagem para o som da banda. Os álbuns anteriores apresentam maior variação no tom da guitarra e estilo e exibiam uma influência cultural do Sul distinta. Com a entrada de Farrar, a banda se distancia um pouco das influências do Sul e com isso a banda entra em um ramo mais popular na época, algo que levou o Molly Hatchet a desfrutar de um aumento da popularidade no início de 1980.

"Beatin' the Odds" foi lançado em setembro de 1980. Em seu review para o AllRovi Michael Bufallo Smith disse que:

"Com uma mudança de vocalista (Danny Joe Brown substituído por Jimmy Farrar), o Molly Hatchet parece perder um pouco de fogo, embora "Beatin' the Odds" ter sido executado de maneira favorável nas rádios de rock clássico. Com apenas um par de faixas de destaque, nomeadamente a faixa-título e "Penthouse Pauper", o som que a banda tinha trabalhado tão duro para alcançar parece ter sofrido mudanças mais óbvias do que apenas a troca de um vocalista. Ainda assim, existe um punhado de pontos altos aqui, certamente para agradar os fãs die-hard do Molly Hatchet."

Após sair do Molly Hatchet, Danny iniciou sua própria banda, a Danny Joe Brown Band, que contava com Bobby Ingram, futuro membro do Molly Hatchet. A banda lançou apenas um trabalho, o homônimo "The Danny Joe Brown Band" em 1981.

Mesmo que "Beatin' the Odds" não seja um álbum do mesmo nível que "Molly Hatchet" e "Flirtin' with Disaster" , vendeu mais de 1 milhão de cópias e levou a banda a arriscar ainda mais no seu próximo álbum, o que significa se distanciar ainda mais do som praticado nos dois primeiros lançamentos da banda.

"Take No Prisoners" foi lançado em novembro de 1981. Quando o CD se inicia, ouve-se "Blood Reunion" e você decide esperar mais um pouco para ver qual é. Ai vem "Respect Me in the Morning" e você pensa "a coisa está melhorando", logo em seguida vem o ótimo cover "Long Tall Sally", de Little Richard, mas a coisa para por ai.

Em 1981 e 1982 houve diversas mudanças na banda. Banner Thomas, baixista original da banda, sai para a entrada de Riff West, Bruce Crump, baterista original, sai para dar lugar a BB Borden, e Jimmy Farrar sai e abre espaço para o retorno de Danny Joe Brown.

"No Guts ... No Glory" foi lançado em 1983 e é o único álbum da banda que não tem um caráter épico e temas relacionados a fantasia. O álbum contém a faixa "Fall of the Peacemakers", um tributo a John Lennon.  O álbum marca o retorno da banda ao estilo que os caracterizou nos dois primeiros álbuns, mas agora com um teclado, o que trouxe uma abordagem mais orquestrada para algumas músicas do álbum. Mas isso não fez de "No Guts ... No Glory" um suceso, mas serviu para dar um novo ânimo para aqueles fãs que se afastaram após o lançamento de "Take No Prisoners". Durante a turnê para divulgar o álbum, sai o guitarrista Steve Holland.

Em 1984 veio o lançamento de um novo álbum, "The Deed Is Done",que contou com o retorno de Bruce Crump na bateria. Esse é o primeiro álbum da banda com uma dupla de guitarristas, pois Steve Holland foi substituído pelo tecladista John Galvin. O som do álbum é bem diferente do Southern Rock praticado pela banda nos álbuns anteriores, completando a transição para um som mais comercial, o que parece ser uma contradição com relação ao álbum anterior, mas vale apena ouvir, pois tem momento interessantes.

Em 1985, é lançado "Double Trouble Live". O álbum ao vivo é uma coletânea da banda, conta com todos os clássicos da bandas, "Whiskey Man", "Bounty Hunter", "Gator Country", "Flirtin' with Disaster", "Boogie No More","Edge of Sundown", "Fall of the Peacemakers" e "Beatin' the Odds", além dos covers de "Freebird" e "Dreams I'll Never See".

Em 1987 Dave Hlubek deixa a banda para iniciar um tratamento contra as drogas e é substituído por Bobby Ingram. Em setembro de 1989 é lançado "Lightning Strikes Twice", um álbum fraco. Após o lançamento do álbum, a banda entrou em hiato de gravações, mas não parou de compor e muito menos de realizar seus shows.

Tudo estava certo para o lançamento de um novo álbum do Molly Hatchet em 1996, mas após um derrame e um agravamento da sua diabetes crônica, Danny Joe Brown teve que deixar a banda, e foi substituído pelo vocalista Phil McCormack para terminar o álbum "Devil's Canyon". Como disse Stephen Thomas Erlewine em seu review para o AllMusic, "a banda soa melhor do que o esperado, mas a falta de canções faz com que seja uma compra desnecessária para qualquer um além os fãs hardcore".

Após a saída de Danny Joe Brown, o lineup da banda não continha um único membro da formação original do Molly Hatchet. Bobby Ingram  obteve uma licença dos membros originais para trabalhar com o nome. Como Ingram gravou o último álbum do Molly Hatchet que contou com um membro original, "Lightning Strikes Twice", ele era tecnicamente considerado um membro "original", assim como John Galvin.

Em 1998 é lançado "Silent Reign of Heroes". Se você é um daqueles fãs ardorosos do Molly Hatchet, escute, mas se não for, passe longe.

Em junho de 2000, Ingram se tornou o único proprietário da marca Molly Hatchet, tendo adquirido os direitos de Pat Armstrong, o gerente original da banda.
 
"Kingdom of XII" é lançado em 2000 e, impressionantemente, o álbum é bom. Os destaques do álbum são: "Why Won't You Take Me Home", "Gypsy Trail", "White Lightning" e "Dreams of Life". A versão acústica de "Edge of Sundown" ficou maravilhosa e "Tumbling Dice", cover do Rolling Stones, ficou boa demais.

Em 2003 é lançado o duplo ao vivo "Locked and Loaded", em comemoração do 25° aniversário de lançamento do álbum de estréia da banda.

Em janeiro de 2005, Ingram convidou Dave Hlubek para se juntar ao Molly Hatchet, fazendo com que a banda voltasse a ter um membro da sua formação original, onde permanece até hoje.

No dia 10 de março de 2005, morre Danny Joe Brown, seu obituário atribuiu sua morte a insuficiência renal, uma complicação da diabetes, presente na vida dele desde os 19 anos de idade. Danny morreu ao 53 anos de idade em sua casa, em Davie, Flórida.

A última última apresentação de Danny ao lado do Molly Hatchet aconteceu no dia 18 de julho de 1999, no evento beneficiente Jammin’ for Danny Joe Brown, um show de astros encabeçados por Riff West, com o objetivo de arrecadar dinheiro para Danny Joe Brown, que na época estava repleto de contas médicas para pagar. Apresentarem-se no show, quase todos os membros sobreviventes da formação original do Molly Hatchet, Southern Rock Allstars, Artimus Pyle, Pat Travers e outros. O show, foi realizado em um grande clube na Flórida e foi, posteriormente, lançado em DVD e CD. Na última música do evento, Danny subiu ao palco com a ajuda dos amigos para cantar pela última vez "Flirtin' with Disaster".

Recentemente assisti ao DVD que foi gravado no Jammin’ for Danny Joe Brown e é impossível de não se emocionar quando Danny sobe no palco para cantar "Flirtin' with Disaster". Tem uma frase que o Michael Buffalo Smith diz que eu acho muito bacana:

"Agora, se você tiver somente o CD deste show, você só tem metade da emoção. Se esta cena não rasgar o seu coração e não trazer lágrimas aos olhos, algo está errado. O público canta junto o e largo sorriso de Danny, é apenas uma alegria."

Ainda em 2005 é lançado "Warriors of the Rainbow Bridge". Esse foi o primeiro álbum que escutei do Molly Hatchet, então tenho um carinho muito especial por ele. Cheguei ao álbum após ler um review na Roadie Crew, eu acho, e adorei a capa, algo fundamental para qualquer fã de Power Metal. Escutei o álbum sem saber que era uma banda de Southern Rock e gosto dele até hoje. O retorno de Dave Hlubek trouxe algo a mais para esse álbum. "Son of the South", "Moonlight Dancin' on the Bayou" (que contem um riff muito bacana de autoria do Dimebag Darrell), "Time Keeps Slipping Away", "Rainbow Bridge" e "No Stranger to the Darkness", são os destaques do álbum.

Na segunda-feira, 19 de junho de 2006, o membro fundador do Molly Hatchet, o guitarrista Duane Roland morreu em sua casa em St. Augustine, Flórida, aos 53 anos de idade. Sua morte foi listada como sendo de "causas naturais", segundo um obituário publicado no Boston Globe em 25 junho de 2006. Duane havia saído do Molly Hatchet em 1990 e era um membro do Southern Rock Allstars desde 2003, quando entrou no lugar de Hlubek e estava junto no Gator Country, grupo formado por Steve Holland, Bruce Crump, Jimmy Farrar e Riff West.

Em 2010 o Molly Hatchet lançou "Justice", seu último álbum de estúdio até o momento. Para aqueles que pensam que bandas que lançaram clássicos nos anos 1970 e 1980 não conseguem lançar nada de bom, "Justice" é um belo argumento para negar isso. Não estou comparando esse álbum aos clássicos da banda, que isso fique bem claro, mas ele é muito bom. "Been to Heaven, Been to Hell", "Deep Water", "American Pride" e "Fly on Wings of Angels (Somer's Song)", são os destaques do álbum.
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